Expectativas para o Cooperativismo Agropecuário em 2016

April 8, 2016

 

2016 foi um ano que começou trazendo grandes desafios para o agronegócio. Oscilação do câmbio, alto custo e insumos, el niño, e, mais uma vez, logística fraca. Ainda assim, a safra brasileira foi recorde: 209 milhões de toneladas de grãos, segundo anúncio feito pela Conab nesta quinta-feira  (7 de abril).

 

Mas ainda assim temos uma crise apertando o cinto de todos os setores da economia. É neste momento que se torna crucial um planejamento muito bem estruturado. De acordo com Tânia Zanella, gerente geral da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), passar pela crise atual será muito mais fácil para aqueles empreendimentos que trabalham de forma planejada. Segundo ela, isto é uma vantagem para as organizações cooperativas, pois já atuam desta forma há mais tempo que outros empreendimentos.

 

Se tratando das cooperativas agropecuárias, grandes mudanças podem surgir. No último dia de março foi aprovado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6.459, de 1º de outubro de 2013. Este projeto trata da regulação de contratos de integração vertical em atividades agrossilvipastoris, aquelas onde o produtor rural produz itens como frango ou frutas que são repassados à agroindústria como matéria-prima. O projeto estabelece as condições, obrigações e responsabilidades contratuais entre os produtores e integradores.

 

Caso o Projeto entre em vigor, as cooperativas integradoras deverão apresentar aos produtores um Documento de Informação Pré-Contratual, além de instituir de uma Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação (CADEC) para a discussão dos contratos de integração. Trata-se de um modelo que busca maior transparência e equilíbrio para os contratos entre integradores e integrados, porém será um novo desafio organizacional para muitas cooperativas.

 

O cenário de crise também traz outro aperto para quem produz: o crédito restrito e mais caro. Segundo o diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil), Fabrício Rosa, o grande número de exigências dos bancos criam a necessidade de garantias reais, o que tem dificultado a liberação de crédito. Para contornar este problema, cooperativas agropecuárias estão reivindicando um aumento de crédito para o Plano Safra 2016/2017, mas não se sabe se o pedido será atendido.

 

De acordo com a 2ª Sondagem de Mercado, feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) em parceria com a OCB, a dificuldade em obtenção de crédito fez com que o produtor buscasse vias alternativas, fazendo com que a procura de financiamento em cooperativas agropecuárias aumentasse de 8% para 10% em 2015. Para atender a esta demanda, a solução para estas instituições tem sido fazer parcerias com cooperativas de crédito para atender a um número maior de produtores rurais.

 

Além da maior procura pelo crédito, as cooperativas agropecuárias tiveram papel fundamental no fornecimento de insumos. Ainda de acordo com a 2ª Sondagem, elas lideram como opção para a compra de fertilizantes, defensivos e de sementes, especialmente na safra de verão. Isto reforça a importância do cooperativismo na manutenção dos níveis de investimento na propriedade rural.

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