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  • Aíla Fialho

Cenário Brasileiro de Financiamento das Micro e Pequenas Empresas


Como os pequenos negócios se financiam?

De acordo com a Global Entrepreneurship Monitor-GEM, principal responsável por pesquisas sobre empreendedorismo no mundo, em 2016 o Brasil atingiu a segunda maior taxa de empreendedores, 36% da população adulta estava envolvida em alguma atividade própria. Os pequenos negócios representam a maioria das empresas presentes no território nacional e são responsáveis por boa parcela dos empregos. E é aí que se concentram os empreendedores.

Mas como as Micro e Pequenas Empresas (MPE) obtêm acesso ao capital necessário para dar suporte aos seus negócios? Segundo o relatório divulgado este ano pelo SEBRAE, os recursos concedidos as MPE são em sua maioria, advindos dos Bancos Públicos, sendo 19% dele originados do BNDES. Mas como o BNDES não atende diretamente as MPE, o repasse financeiro ocorre principalmente através do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Porém, entre 2015 e 2016 houve uma queda nos desembolsos do BNDES devido à recessão da economia em consequência do modelo econômico até então vigente.

Recentemente, o banco procurou incentivar o aumento da presença das MPE na sua carteira de investimentos através de programas voltados exclusivamente para os pequenos negócios. Porém, o aporte desses recursos ainda se concentra nos setores da agropecuária, comércio e transporte. No caso da agropecuária, este dado se associa a presença da agricultura familiar e no comercio, pelo uso do cartão BNDES.

A pesquisa revela ainda que 79% das MPE nunca utilizaram o BNDES, seja porque não precisaram, não conheciam ou mesmo não conseguiram. Das que não conseguiram, em sua maioria, afirmam que a burocracia entre documentação fiscal e garantias foram os principais empecilhos para o acesso.

Os principais motivos que levam estas empresas a procurarem um financiamento são respectivamente, para aquisição de capital de giro, reformas de ampliação e para compra de mercadorias. Porém, diante do cenário econômico do país, cai a procura por capital de giro e investimentos de ampliação e aumenta a demanda para reformas e refinanciamento de dívidas.

Em relação aos bancos privados, a operação de crédito se concentrou em apenas dois bancos nacionais, dos quais obtiveram uma recessão de 15% das operações direcionadas as MPE. Porém, ainda no setor privado, alguns bancos cooperativos apresentaram aumento na participação no mercado de crédito direcionado as pequenas empresas. Isso mostra que a depender da estratégia adotada pelo banco, o cenário de crédito para as MPE pode ser melhor.

Além disso, existem alguns fatores que impedem o financiamento das MPE como as taxas de juros, necessidade de avalista e documentação. Por parte dos bancos, estes geralmente não concedem empréstimos devido à empresa ser muito nova, por não possuírem linhas de crédito especifica, por inadimplência das próprias empresas ou mesmo pelo seu baixo faturamento. Por estas dificuldades, as MPE costumam avaliar os serviços bancários como muito ruins. Isso demonstra que existe um descompasso entre o que os bancos oferecem e o que as pequenas empresas procuram. Mesmo diante deste quadro, os bancos cooperativos obtiveram destaque, com uma avaliação positiva por parte das MPE por serem considerados os mais acessíveis, menos burocráticos e mais baratos.

Para além das instituições financeiras, as MPE costumam adotar outras estratégias de financiamento. Dentre elas, a negociação de prazo com os fornecedores, cheques pré-datados e os cheques especiais são os principais instrumentos comerciais. Nota-se ainda, a presença de capital de amigos e parentes. Em relação ao capital de giro e investimentos fixos, as pequenas empresas utilizam os próprios lucros para cobrirem estes investimentos.

No cenário brasileiro, os bancos se apresentam como instituições consistentes, com disponibilidade de serviços automáticos de pagamento, sejam eles digitais (internet banking) ou físicos (postos de atendimento) com amplo potencial de crescimento. Porém, os serviços bancários em si são caros e de acesso restrito. A participação dos pequenos empreendimentos nos empréstimos ainda é baixa. Portanto, novas alternativas de financiamento precisam ser incentivas e desenvolvidas.

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