Buscar
  • Pablo Murta Baião Albino

O Cooperativismo como estratégia de aprendizagem


O presente texto aborda o cooperativismo como doutrina e as organizações cooperativas como meios para oportunizar às pessoas uma vivência humanizada nas relações com o

O sistema cooperativista é uma forma diferenciada de gestão

O cooperativismo, além de ser uma forma organizacional que foge a lógica racional, da sua doutrina própria, seus princípios e histórico de participação e solidariedade, também pode ser entendido como mecanismo de gestão estratégica de pessoas, desde que os envolvidos conheçam e compreendam o que é cooperativismo (Silva 2004). O modelo econômico cooperativo não pretende substituir a economia de mercado, pelo contrário, parte desta lógica para fortalecê-lo ou mesmo organizá-lo onde o mesmo inexiste (Perius, 1983).

Neste sentido, o cooperativismo não é um sistema que possa ser implementado em qualquer lugar, pois representa, sobre tudo, um modo de vida e de educação, no sentido de mudança

A origem do termo cooperativismo vem do latim opus, operis, ou seja, trabalho, efeito do trabalho, ofício. Exemplos de atividades cooperativas, adotadas desde os povos antigos até hoje são os mutirões. A partir desta prática alguns pensadores (Fureu, Prudhon, Robert Owen, Charles Fourier, etc), identificaram na cooperação uma alternativa para solucionar problemas sociais e começam a buscar formas para que o trabalhador passasse a gerir os meios de produção, onde todos os participantes se beneficiariam e prosperassem – a cooperativa.

Muitas vezes o cooperativismo é apresentado como uma receita milagrosa (Silva, 2004). Quando uma cooperativa é formada e muda a vida de seus associados, certamente foi porque estas pessoas dedicaram trabalho a este empreendimento que será uma empresa social.

Portanto, as cooperativas precisam ser geridas como empresas que devem dar retorno econômico aos sócios, para diferenciar-se de outros tipos de empresas que só propiciam retorno financeiro a um proprietário ou ao grupo de acionistas.

Uma organização cooperativa é uma empresa que se difere, principalmente da lógica racional, da busca do lucro como principal fator, devido a estas organizações estarem formadas por um grupo de pessoas que busca suprir suas necessidades através de um empreendimento solidário. A cooperativa é um tipo de organização empresarial, além de uma associação de pessoas que se orienta por princípios e valores diferentes daqueles das empresas de capital.

O autoritarismo nas relações de trabalho e a exploração não devem existir nas cooperativas, uma vez que estas organizações são regidas por valores como auto-ajuda, auto-responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade (ACI, http://www.aciamericas.coop)

Os princípios que regem as organizações cooperativas foram criados em Rochdale (1844), durante a constituição do que se conhece como a primeira cooperativa. Estes princípios foram revisados no congresso da ACI realizado em Viena em 1966. Atualmente são sete princípios:

1. Adesão voluntária e livre

2. Gestão democrática pelos membros

3. Participação econômica dos membros

4. Autonomia e independência

5. Educação, formação e informação

6. Intercooperação

7. Interesse pela comunidade

Os valores e princípios cooperativistas como instrumentos de aprendizagem

Atualmente as organizações cooperativas estão presentes tanto em países desenvolvido/ricos

quanto nas nações mais pobres, o que é possível devido aos princípios que as disciplinam.

As organizações cooperativas têm estrutura e gestão pensadas a partir da preocupação com o social, fundamentada em valores e princípios, sem, no entanto, deixar de lado sua viabilidade econômica e a inserção no mercado. Desta forma, faz-se necessária a elaboração de estratégias pensadas no futuro com ações e decisões no presente, cujo papel desempenhado pelos sócios, seus conhecimentos, possam contribuir para a sobrevivência e crescimento da Uma característica importante das organizações cooperativas é a não distribuição de lucro entre seus sócios. Isso ocorre porque as cooperativas não geram lucros, em conformidade com seus princípios. As sobras de capital, derivadas do pagamento de todos os compromissos, conforme definido em assembleia, são distribuídas entre os associados.

O processo decisório pode ser mais lento nas cooperativas, em relação às empresas de capital, uma vez que a lógica na cooperativa é a participação. Por sua vez, não necessita da morosidade e disfunções do modelo burocrático, visto nas empresas públicas, órgãos governamentais e universidades.

Os planos são facilmente superados pela realidade do dia-a-dia, e as alterações ambientais, como as variáveis políticas, econômicas e sociais, obrigam à reordenação do planejamento para cuidar que os negócios cheguem à eficácia. A cooperativa deve fazer da sua gestão um modelo que seja motivo de cobiça a outros empresários, pois, além de ser uma empresa, seu grande diferencial é a gestão solidária e democrática, variáveis que não são experimentados em outros tipos de organizações empresariais (Silva, 2004).

Pablo Albino Consultor - APL Capacitação & Consultoria

#Cooperativismo #Aprendizagem

71 visualizações

CONTATO

contato@aplconsultores.org     

+55 (31) 99641-1560         

Viçosa, Minas Gerais